A pele que (não) habito

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A roupa que você veste, o seu corte de cabelo, os seus óculos, os seus acessórios. Todas essas escolhas estéticas te ajudam a traduzir para o mundo o que está dentro de você, no que você acredita, o que você quer mostrar e, mais importante, ser. Nesta narrativa da imagem, a maquiagem é uma das protagonistas.

Ao longo da história, o poder de se maquiar ficou restrito às mulheres – homens o tinham apenas sob a capa permissiva da arte ou do humor. Apesar de ser uma realidade em mutação, a maquiagem ainda é tabu entre muitos homens e uma pressão social entre as mulheres. Por tudo isso, a importância dos cosméticos no debate sobre auto representação e autopercepção continua igualmente intrigante.

Maquia-se para esconder e maquia-se para revelar. a aplicação de novas cores e tons pode ocultar uma “imperfeição” no rosto, mas também tem o poder de jogar luz sobre um traço de personalidade escondido. Por isso, questionamos como a maquiagem pode transformar alguém de fora para dentro, mudando a percepção de personagens sobre quem são. O estudante Lucas Bayo (20), um dos fotografados, diz que “amou o resultado” e se sentiu “lindo demais”, mas ainda “não tem coragem” de sair na rua todo maquiado. Lucas acrescenta ainda que, às vezes, usa “maquiagem placebo” – praticamente imperceptível, mas que faz ele se sentir mais confiante só de estar lá.

Convidamos pessoas que jamais usaram um batom sequer, como é o caso do marinheiro Davi Arantes (27). Davi assume que nunca tinha usado maquiagem porque, inconscientemente, não faz parte do seu ideal ideal estético – ele acredita que ficaria menos atraente. Em outros casos, personagens como Vanessa Tenório, que se maquia todos os dias, demonstraram o oposto – Vanessa se sente mais atraente e confortável, quando maquiada.

Os que sentiram um pincel no rosto pela primeira vez entenderam que podem ser outras pessoas quando maquiados, viverem outras vidas, enquanto o rímel durar, incorporar personagens diferentes a cada cor de batom. Quem tinha a maquiagem como item ordinário pôde se ver sob outra perspectiva – a do maquiador – e repensar sua própria imagem.

Entre os que se surpreenderam por se perceber através de outro olhar, a jornalista Eduarda Nunes (22) se sentiu “mais poderosa”. Eduarda Vidal (22), disse não se reconhecer através da maquiagem, se sentiu como “uma atriz, uma modelo, mais poderosa” – o que não diminuiu o desconforto de não se ver.

Já o arquiteto Silvio Melo (25) e a estudante Camila Tenório (18) demonstraram a maquiagem como um acessório, que não necessariamente transforma, mas pode pode trazer mais confiança e diversão.

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Texto: Mateus Rodrigues (@phynocomph_) e Matheus Rangel (@rangelmatheus)
Maquiagem e Fotos: Mateus Rodrigues (@phynocomph_)

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