Sissy that love

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Por que alguns gays tem medo de feminilidade? Se feminilidade/masculinidade são conceitos criados, por que homens gays — que são estigmatizados e prejudicados por esses mesmos conceitos — insistem neles? Há aí uma ‘pedagogia do oprimido’ – o oprimido tentando oprimir, quando tem a oportunidade?

Por que homens tem tanto medo de um rosto maquiado? A heteronormatividade nos looks é tão importante a esse ponto? Isso me deixa verdadeiramente irritado e frustrado. A verdade é que os padrões de beleza propagados separam claramente o que é bonito “para homens” e bonito “para mulheres”. Esses conceitos são pouco fluidos e ainda mais fechados do lado masculino — mulheres até podem flertar com o outro gênero, homens jamais. Assim, é óbvio que a maioria dos homens não está acostumado a reconhecer beleza num mini-short ou num iluminador blinding.

Desde que parei de me importar com limitações de gênero na hora de me vestir e passei a adotar elementos tidos como femininos no meu guarda-roupa e na minha maquiagem, percebo que tenho ficado com menos boys e que esse “número” varia dependendo do meu look. Não é só comigo: todos os meus amigos contam experiências parecidas e até brincam que eu não estaria solteiro se fosse menos feminino. No carnaval — sim, mesmo no carnaval, onde, supostamente, as pessoas se libertam mais — os mesmos amigos apontam que beijaram menos dependendo da fantasia.

Veja bem, sempre tive trejeitos afeminados; meu look que mudou nos últimos meses e estou mais livre para me expressar através da forma como me visto. Isso me faz pensar no incômodo que o aspecto visual gera e me lembra da máxima homofóbica “pode ser gay, mas não pode mostrar que é”.

Isso não acontece só com gays, mas com toda a sociedade. O problema é que o mundo LGBTQ deveria combater isso, ao invés de reforçar. Porém, a realidade não é essa; o mundo LGBTQ pode ser bem perverso e opressor. Algumas mulheres reforçam o machismo e reforçarão enquanto o machismo existir. Não é por ser mulher que ela é automaticamente feminista. Alguns gays reforçam a homofobia, se a homofobia existe. Ser oprimido não coloca ninguém contra a opressão, necessariamente.

Foucault fala, em Vigiar e Punir, que a sociedade se disciplina. Há uma vigilância (logo, uma punição) em relação aos outros e a si mesmo. Esse modus de controle individual funciona para que haja uma divisão binária e os excluídos sejam individualizados. Esse modus, acredito eu, é um dos principais motivos para que excluídos também excluam – punam, quando possam vigiar.

Não adianta ficar na bad por isso. Por mais que achemos que o boy X é incrível, ele definitivamente não é incrível se não consegue lidar com o seu look e com o fato de você não criar barreiras na hora de se vestir. Devemos encarar isso, na verdade, como um bom filtro de pessoas, já que as chances de acabar se apaixonando por alguém preconceituoso é bem menor.

Viva os afeminados, então!

Fotos: Reprodução/ Gucci

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