A hierarquia da passarela

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Mais uma vez fui convidado pelo shopping RioMar, em Recife, para conferir o que algumas de suas lojas têm de novo para a temporada. É a terceira edição do Passarela RioMar. Desta vez, o evento – capitaneado por Reginaldo Fonseca, consultor de moda internacional e idealizador da Cia. Paulista de Moda – trouxe desfiles e talk-shows com celebridades. Tudo para despertar frenesi e, claro, alavancar as vendas. Especialista nisso, já tendo promovido eventos similares em shoppings de todo o Brasil, Fonseca escolheu o modelo Jesus Luz para comandar o som dos desfiles.

Contudo, apesar de ser um evento de moda, as roupas se tornaram coadjuvantes do buzz causado pelo modelo, que acabou roubando toda a atenção, com seus fãs se amontoando para vê-lo. Depois de trocar e-mails com uma assessora, negociar com outra, conversar mais um pouco com uma terceira, que tentavam garantir que ninguém tocaria no nome de Madonna (com quem o modelo namorou), o blog Phyno com PH conseguiu conversar um pouco com Jesus Luz. Vale mencionar que fui o único blogueiro a entrevistá-lo. YAAAAAS!

Fui acompanhado por seis seguranças pelas áreas restritas do shopping até chegar a um camarim escondido, separado de onde os modelos “mortais” se arrumavam. Lá, encontrei Jesus. Entre perguntas, ele falou sobre seu trabalho, contando que encara as carreiras de ator, modelo e DJ de formas distintas e que, apesar de estar focando na carreira de ator, nunca deixará de lado as outras, suas grandes paixões.

Ele revelou que, depois de interpretar o apóstolo João no espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, já sonha em fazer o papel principal. Para o modelo, o segredo é saber conciliar tudo. Durante a temporada na Paixão de Cristo, recebeu vários convites para tocar em baladas locais do Recife, mas recusou todos para poder se concentrar no papel de João. “Se for assim, uma coisa por vez, dá pra fazer tudo”, disse. Jesus me contou ainda que gosta do fato de as carreiras de modelo e DJ se cruzarem em eventos como o Passarela RioMar, onde ele pode tocar, mas ainda assim estar em contato com a moda.

Ouvi um colega perguntando sobre a rainha do pop. Jesus, mesmo dizendo não se incomodar, deixou nas entrelinhas que a pergunta era inconveniente. Depois, no bate-papo com o público, entre um desfile e outro, ele deixou isso claro. Chegaram a perguntar se ele tinha mesmo terminado com ela ou se ela quem tinha dado fim ao relacionamento. Tem gente que não tem noção e força a barra mesmo, né?!

Passarela RioMar e o see now, buy now como alternativa para driblar a maré baixa

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Reprodução: RioMar Recife

As roupas apresentadas no evento foram uma seleção do que já está nas lojas – com exceção da pernambucana Blu-K, que criou especialmente para o desfile e disponibilizou a pocket collection logo em seguida.

Entre os desfiles, chamou mais a minha atenção modelos negras belíssimas, inclusive com cabelo natural. Também um look masculino com short curto (não era mini, mas já era mais curto que o usual). Pensando nos meus 4 anos de blog e eventos de moda, foi uma das poucas vezes que vi isso – ainda mais num evento hipercomercial como esse. Parece que as coisas estão mesmo evoluindo.

Reginaldo Fonseca, que comandou o Passarela RioMar, definiu o evento como uma apresentação de ‘moda’ e não de tendências, como chamaríamos de cara. Para ele, tendência é “o que é apresentado pelas marcas meses antes, são looks das ruas, é arte… Tendência é o que serviu de base para o que víamos ali”.

O consultor me disse ainda que acredita no modelo see now, buy now como solução para a “maior crise já enfrentada pelo mundo da moda”. Essa crise, definiu, ultrapassa os fatores econômicos e tem a ver também com a internet e a revolução causada pela velocidade das redes sociais: “O cliente nem quer, nem tem mais memória para guardar uma referência e só comprá-la 4 meses depois”.

Perguntei se, nesse formato de produção, marcas menores não seriam engolidas por marcas maiores, que conseguem se adaptar mais facilmente devido ao tamanho de sua produção; o consultor aposta no fator cíclico da moda como garantia de que isso não acontecerá. Para ele, o que é grande hoje não existirá em 10 anos, se as marcas de luxo não se adaptarem, elas que serão engolidas.

Faltou um pouco de foco na roupa, em si, mas, no geral,  o shopping merece aplausos por conseguir reunir quase 400 pessoas em plena terça-feira gerando tanto buzz para si.

No evento, percebi uma clara hierarquia de importância dada às coisas, pelo o público. A presença de uma celebridade acabou superando as roupas, mas se as roupas foram ofuscadas por Jesus Luz, a sombra de Madonna parece nunca abandoná-lo e me pareceu se sobrepor aos projetos pessoais do modelo. A rainha do pop acabou sendo o hit da noite. Nada de novo no front.

*Edição – Pedro Jordão (@pedritxo)

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