Balada

Sempre me vangloriei de ser superfesteiro, adorar uma farra e ter a disposição de jamais sentar em festinha alguma. Raramente nego um badalo e só saio na vassoura mesmo. Até que… Aconteceu um acidente horrível: Dormi, não era nem 22:00h, e só acordei no sábado — me sentindo culpado por ter desperdiçado uma noite de juventude, músicas que não dancei e histórias maravilhosas que não contarei.

“O que estou fazendo com a minha vida?”, questionei. Sofri (com razão), afinal, que pecado dormir depois de um dia cansativo — minha preocupação faz todo sentido. Logo percebi que o que me atormentava não era a festa perdida; na verdade, a dor e sofrimento eram a sensação de estar envelhecendo (estaria eu me tornando meu pai — a despeito dos meus 18 anos?) e ter deixado de abalar o look mais divertido da semana.

Veja bem: eu amo dançar um hino (clássico da música pop; música eterna), dormir (talvez sem banho) quando o dia já clareou, fazer amizade de uma noite com desconhecidos e, quem sabe, viver histórias que façam a gente se sentir jovem e que serão contadas e recontadas nas próximas rodas. Tudo isso é maravilhoso. Mas o look, ah, o look! Nada como se arrumar pra arrasar.

Esse tal look provavelmente nem é confortável, mas promete uma noite de sensualidade e charme, é o look que investimos mais tempo e dedicação de toda a semana e ainda é o que tem mais possibilidades — proporcionadas pela falta de regras específicas e adequações formais. Na balada, o que importa é estar como você se sente melhor.

Sem falar que tudo de bom é maior e mais divertido à noite: Há brilhos mil, glitter, preto no verão, as estampas são mais ousadas, tem mais pele à mostra e saltos mais altos… As possibilidades superlativas são infinitas. Sendo assim, é um crime é um crime perder tudo isso pra um pijama não-palazzo. Me entendem agora?

Dramas e exageros de lado, realmente gosto muito de me arrumar pra sair a noite, por acreditar que looks noturnos tendem a ser mais divertidos e mais produzidos. Além disso, me sinto mais à vontade para brincar com peças e combinações que não cabem tanto no meu dia a dia. De noite temos uma liberdade a mais, pela atmosfera de diversão e de certa excentricidade —   que gera maior aceitação ao diferente.

Os limites de “certo” e “errado” são mais brandos e, não há nenhuma norma rígida do que é ou não apropriado — você pode ir de calça à balada, mas geralmente não pode ir de mini shorts ao trabalho, por exemplo. Menção honrosa, ainda, às drag queens: transgressoras por natureza são sempre incentivo e inspiração a mais para nos divertirmos com nossos looks, pela coragem e por serem a representação do seu próprio imaginário estético.

Por falar em mini shorts, usei pela primeira vez em uma festa e, desde então, adotei completamente à minha vida. Apesar de sempre achar bonito, nunca tive realmente coragem para encarar um short mais curto que o convencional —  por achar, na época, minhas pernas feias demais pra isso e pelo receio de fugir dos padrões de roupa —  infelizmente, isso é bem comum.

Foi então que, numa viagem à Pipa, decidi usar um mini short recém-adquirido, para dar um rolê; fui elogiadíssimo e me senti super livre por ter  desconstruído essa barreira da minha vida — inclusive, de papel de gênero (“mini short é coisa de mulher, etc”). Parece besteira, mas com pequenas coisas, tipo essa, que usamos a moda para reconhecer sentimentos e medos acerca de nós mesmos, de onde eles vêm, como agir e, por fim, nos empoderarmos.

Todo mundo admira ou até já tem alguma peça de roupa que morre de vontade de usar, mas nunca usa. Recomendo que usem, sim! Uma festa é um bom local para isso, por todos os motivos já falados; mas, se você não tem uma festa, não deixe de usar por isso. Use o que você tem vontade, independente da hora do dia. Desde que seja apropriado, não tenha medo de se jogar. Vale muito a pena e os frutos rendem décadas de looks mais divertidos.

Mateus.

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Em uma festa, arriscando cílios postiços pela primeira vez. Foto: Kaline Ximenes (@kalximenesfotografia)

Me segue no instagrão, vai? É @phynocomph_

— Dramas reais sobre problemas mais reais ainda—

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