Trump for (anti)LGBT

Parece piada ou notícia do Sensacionalista, mas não é: Donald Trump é o mais novo presidente eleito dos Estados Unidos.

Misógino, xenofóbico e homofóbico, o empresário, durante sua campanha, prometeu rever o casamento entre pessoas do mesmo sexo e descriminalizar a homofobia. Em tempos onde a discussão de gênero vem ganhando tamanho e força, Trump teve entre seus apoiadores, o grupo Alliance Defending Freedom que lutou contra as tentativas de igualdade na Rússia e, segundo a CNN, treinou ativistas anti-igualdade, no Nepal. Aliás, o presidente russo, Vladimir Putin – referência em homofobia – já parabenizou o magnata e declarou que “A Guerra Fria terminou”. Do lado de Trump, seu vice, Mike Pense, enquanto congressista, em 2009, se opôs veementemente à criação da lei dedicada a combater a homofobia.

Entre os escândalos durante a corrida presidencial um define e metaforiza bem o posicionamento de Donald Trump em relação a população LGBT:

Reprodução/ Huffington Post
Reprodução/ Huffington Post

Em 31 de outubro, ao fim de um comício em Greely, Colorado, Donald Trump ergueu a bandeira do movimento LGBT, pintada com “LGBTs for Trump”. A bandeira foi pega das mãos de um LGBT que estava de frente ao palco. Tudo normal, não fosse o histórico do candidato, o fato de a bandeira estar de cabeça pra baixo – apesar do dizer estar “de cabeça pra cima”, a bandeira estar dobrada e a pessoa estar exatamente de frente a Trump.

A bandeira do arco-íris é composta por 6 faixas coloridas, cada uma com significado específico – e que justifica a ordem correta: A faixa de cima é vermelha, simbolizando a vida, e a de baixo é roxa, simbolizando o espírito. A bandeira de Trump estava invertida, apesar de o texto estar certo. Entende-se assim, que quem escreveu na bandeira não sabia que ela estava de cabeça para baixo.

Tudo isso, algumas horas depois de um eleitor, durante outro comício em Las Vegas, gritar para um jornalista “Aponte a câmera para a gente, viado! Aponta a câmera para a gente, bicha!” durante mais um ataque de Trump à mídia, que segundo ele, não dava devida cobertura à sua campanha.

Sem nenhuma proposta de direitos LGBT, o plano de governo de Donald Trump prevê a criação de um “questionário” sobre sua ideologia, aplicável a imigrantes que desejem entrar nos Estados Unidos; entre as perguntas, questiona-se qual o grau de apoio à pessoas LGBT. Apesar de não explicitar o que essa pergunta significa na prática, dado o histórico do magnata subtende-se que dificultará a entrada, no país, de pessoas LGBT, que fogem dos mais de 70 países onde é crime ser LGBT. Além disso, o agora presidente eleito Pat McCrory declarou apoio ao governador do estado da Carolina do Norte, na lei que proíbe pessoas trans de usarem o banheiro apropriado à sua identidade de gênero.

A entrada de Donald Trump na Casa Branca representa um retrocesso nas conquistas das pessoas LGBT por direitos e respinga sobre todo o mundo. A eleição de Trump à chefia do país que, por vezes, já se sente dono do mundo, é preocupante não só pelo presidente em si, mas pela confirmação do discurso de intolerância, por parte de 48% dos eleitores norte-americanos.

Sobre a eleição, o jornalista Vinícius de Brito acrescenta que “Em uma das mais negativas eleições dos EUA, a proposta que melhor define Trump (ao menos pra nosotros, latinos) é a construção do muro na fronteira com o México. O muro já está parcialmente construído desde o governo Bush (com 1 mil km) e, apesar do custo operacional, deve ser estendido pra mais 2 mil km.

O muro é a metáfora inicial da vitória republicana e, tristemente, o lastro negativo dessa vitória de Trump quem dá ao mundo é o mercado, que amanhece “apavorado” nesta manhã. O mercado tem o aval pra se entristecer com o mais velho candidato a ser presidente nos EUA, não os sujeitos dessa ação (de novo, nosotros-latinos, mulheres e negros), enviesados pelo muro. Trump terá apoiadores no Senado, mas contará com o sentimento de racha nas ruas, que elegeriam Hillary por 47.6% neste momento.

A política do ódio, pintada de reality, funcionou pra arrebatar os eleitores de Trump e aparentemente construiu uma coalização republicana. O que o mundo verá nos próximos anos é essa política do ódio posta em prática, quando não apenas terá de agradar os aliados, mas também os inimigos e as minorias.

[No fim, o que falha ao muro (principalmente os muros materiais, não os simbólicos) é que não existe uma separação tão nítida entre “nós” e os “outros”].”

Em um momento como esse, lembro de Stone Wall – momento que marcou o início da luta LGBT: Em Nova York, 1969, um grupo LGBT, liderado por travestis negras, resistiu a mais uma batida policial e gritou que não se deitaria mais à homofobia e à violência. Que nos sirva de inspiração aos próximos quatro anos. Precisaremos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s