“Nós somos vagabundas?”

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Essa é Carrie, pros novatos.

Sempre que me perguntam qual minha série preferida, de cara respondo Sex and the city – e a muito tempo. O que mais gosto é que cada episódio problematiza algo do dia a dia, principalmente do campo dos relacionamentos. Toda a trama é sob a perspectiva de Carrie, ou seja, perspectiva feminina, porém tudo se aplica MUITO aos meninos, principalmente aos meninos gays, que muitas vezes enfrentam problemas que seriam “tipicamente femininos”, considerando o contexto em que vivemos. Ultimamente tenho ligado muito referências da série ao meu dia a dia atual e venho pensando muito nisso.

Dia desses, assistindo uns episódios aleatórios, assisti o “Nós somos vagabundas?” (s03e06) e pensei muito sobre ele. Ao longo do episódio Carrie faz três perguntas principais que desenrolam a reflexão ‘do dia’: “O romance morreu?”, “Estamos tão saturados que não reconhecemos mais o romance?” e “Temos problemas sentimentais ou somos vagabundas?”. Não vou falar a resposta do episódio – até pra não dar spoiller, caso alguém queira ver – mas, as minhas respostas.

Mesmo me achando uma pessoa razoavelmente desconstruída e convivendo com amigos bem mais desconstruídos que eu, percebo que essas perguntas muitas vezes surgem (mesmo que a gente não externe e/ou não admita). Será que realmente “Nós somos putas?”, “Quão grande é uma lista grande de amores de uma noite só?”, “Será que a gente perdeu o romance?” e, pior: “Somos nós o problema?”.

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Mais Carrie, que tá pouco.

Penso que não, pra todas as perguntas.

Não, não somos putas.

Primeiro que “puta/piriguete/vagabunda/piranha” é um conceito imposto por uma sociedade primariamente machista, que diz que mulheres não podem ficar com muitos homens/outras mulheres (quem vai casar com uma mulher “dada”?) e gays que ficam com muitos homens são promíscuos (“gay bom é gay discreto, reservado”). O interessante é que se você for homem, hétero, isso não é um problema.

Perceber isso, já é o suficiente para derrubar esse estigma, mas, a questão vai mais além do que a falta de compromisso. O fato de não querermos esse compromisso, pra muitos, revela simplesmente uma incapacidade sentimental. “Não é possível que queiramos permanecer solteiros! É impossível ser feliz sozinho!”

É impossível ser feliz sozinho??? Na verdade, acredito muito que pra ser feliz ao lado de outra pessoa, você tem que primeiro ser feliz sozinho. O que nos leva a outro paradigma social: Você precisa necessariamente de alguém pra te completar.

NÃO!!! Ninguém precisa! O erro já está aí. Se você precisa de alguém pra te completar, consequentemente precisa de outra pessoa pra ser feliz. Você está deixando algo que é só seu (a sua felicidade) e só diz respeito a você na mão de outra pessoa, que não você! Vê que louco!
Diane musa Von Fustenberg, em sua biografia, diz que: “O relacionamento mais importante é aquele que você tem consigo mesmo. Os outros são apenas um plus e é isso que devem ser”. Acredito real nisso.

Mas, e quão grande é uma lista grande?

O quão você quiser, monamu! Quem tem que dizer “a hora de parar” é você e mais ninguém! Temos que parar é com isso de comparar nossas vidas amorosas à de outras pessoas, temos que parar de restringir nossas vontades tendo como base as vontades de outras pessoas (ou pior, de uma imposição social). Como também, temos que parar de ‘estipular metas’ porque alguém acha que a gente não tem affairs o suficiente.

E, será que estamos tão saturados que perdemos o romance e simplesmente não conseguimos enxergá-lo?

Antes de tudo: O que é romance?

Penso que definitivamente romance não é (necessariamente) o que dizem nos filmes ou o que qualquer pessoa diga por aí sobre flores e declarações no estádio. Romance, pra mim, são atitudes nada específicas, mas que nos deixam com estrelinhas na mente e um friozinho leso na barriga.

Isso sou eu, minha opinião sobre romance. Cada um que sabe o que acha romântico. Partindo daí, acho que não perdemos não o romance, só não achamos o que nos seja “romântico de verdade”. Além disso, convenhamos que tem gente que tem umas romantices tão entre-linhas que fica meio difícil identificar, né?!

Acima de tudo: Somos nós o problema?

Definitivamente não e definitivamente sim.

Não que estejamos errados – quem sou eu pra julgar, at all. Aliás, quem é que pode mesmo julgar? É aí onde erramos: Nos julgamos com base em conceitos alheios e nos sentimos mal porque alguém que certamente conhece a gente menos que nós mesmos, considera que somos “ruins”.

VÊ QUE LOUCO!

Minha gente, vamos melhorar né?! Está mais que na hora de parar com isso, simplesmente abraçar nossas escolhas e viver de boinha com elas. Vamos parar de se sentir mal porque um X aí acha que estamos errados! Vamos ficar com 1 ou 10, tanto faz, vamos achar flor brega, vamos achar um “eu te amo” a coisa mais linda ever, vamos ser românticos inevitáveis, desapegados inveterados, vamos ser o que der vontade e nos for verdadeiro.

Vamos nos relacionar sem estigmas, sem paradigmas e, principalmente, sem culpa.

MR.

 

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